O mestre da ilusão

Centro Cultural Banco do Brasil recebe mostra com obras do artista holandês Maurits Cornelis Escher.

Cinema saudosista

Hanna-Barbera e Universo Marvel povoam as produções de cinema resgatando as boas coisas da infância.

Entendendo hashtaguinês

Depois do internetês e do miguxês, o Twitter chega para aumentar o número de dialetos na grande rede.

Como entender a vida de um jornalista

Depois desta leitura, os amigos e parentes vão pensar duas vezes antes de falar que vida de jornalista é moleza.

Cidade Jurássica

Feras invadem a Barra da Tijuca e viram uma ótima opção de entretenimento para toda a família.

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11 de julho de 2010

Oferecendo novas oportunidades

ONG recupera a auto-estima das crianças de Parada de Lucas


Uma ida com o filho de 11 anos a um baile funk na comunidade de Parada de Lucas onde viu crianças dançando ao som de músicas que faziam apologia ao crime, ao uso de drogas e ao sexo sem proteção foi o que motivou a mineira Neuza Nascimento, moradora do Rio de Janeiro há 39 anos, a oferecer uma nova alternativa às crianças que moram na localidade. “Descobri com o tempo que as meninas vão ao salão cortar o cabelo para o baile, os garotos compram tênis e percebi que era simplesmente falta de opção. Pensei em uma solução: tirar as crianças de dentro da comunidade para elas verem outras coisas. Fiz o curso de Liderança Comunitária na UERJ e recebi um convite para o evento UERJ sem Muros e levei um grupo de oito crianças que tiveram o primeiro contato com DST/AIDS”.


Outros eventos culturais foram acontecendo depois desse dia como o Festival de Cinema Nacional e visita a espaços como Piscinão de Ramos, Casa França-Brasil, Museu da Marinha e Centro Cultural dos Correios. Nesses passeios, Neuza sempre recebia doação dos comerciantes de Parada de Lucas para produzir o lanche das crianças, mas um fato a fez despertar e ver que precisava regularizar o projeto: “A SUDERJ me convidou para uma visita ao Maracanã e prometeu dar o lanche. Ia com 13 crianças e, quando faltavam duas horas, a SUDERJ me ligou avisando que não ia ter mais lanche. Me desesperei com aquilo e saí pela favela pedindo só que ninguém queria doar porque eu não tinha um papel da Associação de Moradores”.


A partir daí, Neuza lutou para regularizar sua situação e nascia o CIACAC – Centro Integrado de Apoio à Criança e Adolescente de Comunidades. Devido aos contatos que tinha em vários centros culturais, a ONG começou a receber ajuda de voluntários estrangeiros que vinham de várias partes do mundo, a maioria de estudantes de Letras da Universidade de Nottingham que só vieram a somar com suas experiências. “No começo existiu uma coisa muito mais violenta que timidez diante de um homem branco dominador. Hoje elas descobriram que todo mundo é igual, que estrangeiro caga, fede, tem perfume”. Atualmente o CIACAC oferece aulas de inglês, artes, basquete, capoeira e começou com aulas de yoga no mês de junho. Apesar de não contar com apoio financeiro, Neuza não desiste ao ver que seu trabalho tem dado frutos: “As crianças são muito tímidas e têm uma baixo-estima, mas, de uma maneira ou de outra, eles estão tendo mais noção de si mesmas”.

Artesanato sustentável

Morador de Parada de Lucas ensina a arte da taboa a adolescentes da comunidade


A taboa é uma planta aquática que cresce junto a brejos e manguezais e chega a medir dois metros e é muito usado na confecção de sofás, puffs e outros móveis. Além da beleza e ar rústico que a arte propõe à casa, é um modo de preservar o meio ambiente através de um trabalho sustentável. Em Parada de Lucas, o artesão Francisco Jorge Cruz, de 47 anos, trabalha há 12 anos com essa técnica ao lado da esposa Simone da Silva. Francisco já trabalhou em vários lugares: fazendo bolsas no fim dos anos 70, foi trocador de ônibus e agora trabalho fazendo os móveis para uma firma, mas sempre arruma tempo para ensinar a arte a quem quer aprender, principalmente para a família. “Acordo às cinco da manhã para chegar aqui às seis. Vou para casa às 10h fazer o almoço e volto depois. Gosto muito do que faço, pena que não tenho mais tempo”, disse a esposa do artesão.


São cinco pessoas trabalhando, mas apenas três são profissionais. “Os coleguinhas dos meus filhos vieram querendo aprender e ensinei. É difícil arrumar quem queira trabalhar, mas eu não deixo trabalhar muito. Deixo de 8h a meio-dia”. Um dos ajudantes é David Brendo, de 16 anos, que trabalha a pouco mais de um mês e considera o trabalho uma distração para o dia a dia. “Aqui é mole, mas tem umas coisas que são mais difíceis. Eu separo a taboa, corto, desamasso e enrolo no ferro”. Apesar de trabalhar ao ar livre, Francisco tem um galpão alugado onde faz as encomendas quando chove. O material vem da região de Campos e, por mês, a família consegue tirar uma renda por volta de R$1300,00.

O raiar de um novo dia

Duas educadoras se unem em prol da educação de estudantes de Parada de Lucas


“Antes de estudar aqui eu estava com as notas ruins, agora eu passei em todas as matérias”. O depoimento do pequeno Alexandre Santos, de 12 anos que cursa a 6ª série do Ensino Fundamental, mostra o resultado do árduo trabalho de Ivaneide França e Marli Macedo que se uniram para fundar a ONG Sol Nascente para oferecer reforço escolar e outras atividades para os estudantes da comunidade. “Entrei para trabalhar na Associação de Moradores em 2004 e vi que a necessidade é muito grande em projetos sociais. Muitos chegam aqui e não são alfabetizados. É muito triste você ver uma criança na escola que não lê e não escreve”, desabada Marli, criadora da ONG. O nome Sol Nascente surgiu com o intuito de significar uma coisa que está nascendo e espera que germine e cresça. “Nossa dificuldade é muita, mas é um sol que vai brilhar para gente”, disse Marli.

Única professora para os 130 alunos, Ivaneide (ou tia Neide como é mais conhecida) sabe que a tarefa não é fácil, mas acredita que o trabalho tem valido a pena. “Não é fácil, tem que ter muita paciência porque sou eu sozinha para todas as séries. As crianças são muito boas e a gente vai conseguindo”.


Um dos sonhos das duas educadoras é conseguir um padrinho para a instituição que, muitas vezes, só conta com o dinheiro delas mesmas. A atual sede (a ONG funcionava na Associação de Moradores do bairro) ocupou lugar do que seria a casa de Marli que hoje mora com a mãe, mas não desanima diante dos momentos em que o cansaço bate. “Eu sei as dificuldades que meus pais tiveram para que eu pudesse estudar. Posso oferecer experiência do que eu tive, do que eu fui. Não é só chegar aqui, sentar e fazer o dever. O pai tem que acompanhar. Ensinamos que tudo é possível e que não pode desistir. A gente oferece o nosso melhor”.

16 de abril de 2010

Minas é aqui!

As delícias do Estado marcam presença na comunidade de Parada de Lucas

Queijos, doces, goiabada cascão, linguiça de porco de Minas, doce pastoso, doce em pedaços, doce de leite... Falar de Minas Gerais sem pensar nessas delícias é praticamente impossível e para os moradores de Parada de Lucas a distância de 445 quilômetros que nos afasta do Estado não é problema desde de Albertina Braga veio para o bairro onde vende comidas típicas de sua cidade Rio Pomba, próximo a Juiz de Fora. Tina, como é mais conhecida, virou fã dos cariocas e conquistou muitos amigos desde que se mudou para cá e fez questão de trazer um pouco da gastronomia da terrinha para o bairro. “Aqui tem muita coisa, mas quase nada de Minas. Como eu já conhecia os produtos de lá, veio esse objetivo de abrir uma loja porque aqui também tem muito mineiro”.

Sem esquecer as raízes, a vendedora faz questão de buscar os produtos diretamente da fonte. “Vou para Minas de 15 em 15 dias e busco produtos naturais sem conservantes. Qualquer pessoa pode comer. O que mais sai é o queijo minas frescal que é feito com leite puro. Quem come sente o diferencial e vendo bastante dele”. Apesar de ter apenas nove meses de funcionamento, a loja Delícias de Minas já virou ponto de parada obrigatório para os moradores. E não foi só sucesso nos negócios que Tina conquistou, há um ano ela está casada com Adriano Carvalho e se orgulha de fazer parte do bairro. “O carioca é alegre, é espontâneo e me recebeu muito bem. Aos poucos fui conquistando novas amizades e, graças a Deus, a clientela é boa”.

"A arte pode resgatar o jovem"

Artista oferece curso de desenho para jovens de Parada de Lucas

Uma paixão que começou ainda na infância, Aluisio Moreira conheceu o desenho aos nove anos de idade por influência do irmão mais velho, Kleber. Morador de Parada de Lucas há 30 anos, Arima, como é mais conhecido no bairro devido à semelhança com o personagem Sôichiro Arima do mangá Kare Kano, começou a desenhar por pura curiosidade de criança. “Comecei a rabiscar até que meu irmão começou a me explicar como fazia. Com o tempo comecei a fazer por conta própria e me especializei em propaganda no Instituto OBERG em Bonsucesso”.

Fã das histórias do Dragon Ball e dos trabalhos de Daniel Azulay e Maurício de Sousa, aos 18 anos ele conheceu o mangá (história de quadrinhos japonesa) através dos amigos e depois seguiu para a arte do cosplay, a arte de se fantasiar de personagens de animes, mangás ou games. Com tanto conhecimento, o desenhista resolveu espalhar essa arte para os jovens. “Vejo um monte de gente que pega o talento que tem e usa para si mesmo e acaba saturado com aquilo. Montei um curso de inicialização para o aluno pegar uma ideia, uma noção com técnicas de pintura, grafite e nanquim porque acredito que arte pode resgatar o jovem. O grafite, por exemplo, é arte que uma pessoa se empenhou em usar o talento para alguma coisa”.

Nas ondas do social

Rádio comunitária é sucesso e agrada todos os públicos em Parada de Lucas

“Sou nascido e criado no Rio de Janeiro”. Com essa afirmação fica clara a admiração de Ney do Valle pelo bairro de Parada de Lucas onde vive com a família. Ney, que é vereador pelo PSC, sempre foi envolvido com a área social desde quando tinha duas lojas no Centro do Rio no final da década de 80. “Comecei apoiando o clube de futebol do bairro e também fazia minha Kombi de ambulância para conduzir as pessoas toda hora, fosse de dia ou de madrugada”. Durante esse tempo, Ney já desenvolveu diversos trabalhos para o bairro como distribuição de preservativos, encenação de peças teatrais e a implantação de uma sala de cinema focando sempre nas crianças da comunidade. “É difícil trazer uma cultura na cabeça de quem já está montado. O trabalho tem que ser feito na base”.

O novo projeto que vem agradando aos moradores é a revitalização da rádio comunitário que existiu há muitos anos no centro da localidade, mas, diferente da anterior, essa possui uma programação mais voltada para ajudar quem precisa, além de uma variedade musical enorme que vai das músicas religiosas passando pelos ritmos que agradam os mais velhos como o sertanejo, MPB e forró, sem esquecer da garotada com sessões de hip hop e reggae. Incansável como ele só, Ney do Valle já aponta os projetos futuros: “A rádio que conta com 75 caixinhas funcionando espalhadas só em Lucas e vamos distribuir em Vigário. O auge vai ser quando colocar no Centro de Lucas até a Praça II. Ainda pretendo lutar por um ponto de ônibus em c ima do viaduto que vai trazer um público flutuante para o bairro que já teve três mercados, cinema, ponto de táxi e hoje virou uma cidade fantasma”. Atitudes de alguém que é realmente apaixonado pelo que faz e pelo lugar onde vive.

Raio-X de um bairro

Moradores de Parada de Lucas apontam os pontos altos e baixos da comunidade

“Em Parada de Lucas, é eu vou / Em Parada de Lucas, é eu vou / Em Parada de Lucas eu fui para curtir um som / Percebi que o som era legal / E era bom de curtir numa boa”. Os versos da canção Parada de Lucas gravada por Ed Motta no CD E-collection em 2000 são um convite a um dos bairros da Zona Norte do Rio de Janeiro. Conhecido nas páginas de jornal pelas guerras do tráfico, os moradores da localidade mostram que também há pontos positivos em se morar na região. “Aqui nós temos tudo na porta de casa: mercado, farmácia, escola, além da comodidade e facilidade para gastar”, declarou a aposentada Expedita Santana, moradora do bairro há 25 anos. O lugar também é privilegiado pelo fácil acesso à Avenida Brasil, umas das vias expressas mais conhecidas do Estado. “Daqui podemos sair praticamente para qualquer lugar no Rio de Janeiro. Sem falar que estamos próximos de duas rodovias importantes que são a Presidente Dutra e a Washington Luís”, diz o jornalista Marcos Vinícius que é apoiado pela professora Sonia Maria Lucas: “Tem condução para onde a gente quiser, até para Niterói. Quer lugar melhor do que esse?”. Apesar da facilidade, alguns moradores apontam melhorias que devem ser feitas como citou o motorista Cilano Santos: “Um ponto de ônibus em cima do viaduto seria bom para revitalizar o bairro além de facilitar o acesso de quem mora do outro lado da estação de trem”.

Outro problema sério apontado pelos moradores é a questão do poder público que praticamente se esqueceu do bairro. O comerciante Hélio Ricardo, morador há 40 anos, reclamou da falta de estrutura e fez um alerta aos governantes. “De bom o que tem aqui só as pessoas. Não temos uma área esportiva ou um posto de saúde. Precisamos de melhorias em serviços públicos como coleta de lixo e esgoto, além de uma adaptação para as pessoas com necessidades especiais. O PAC nem nos incluiu”. A questão da saúde é um ponto que muitos moradores fizeram questão de frisar como o supervisor Fernando Campos: “Um posto médico ou uma UPA facilitaria muito porque sempre temos que ir para longe”. A turma jovem também reclama da falta de opções para lazer nos fins-de-semana. “Nada aqui é bom, não temos nem campo de futebol”, disse Antonio Matias de 11 anos que teve o apoio do amigo Patrick Oliveira: “Podia ter um shopping para comprar umas roupas que tem em lojas mais longes”. Mas há quem acredite que a comunidade oferece boas oportunidades para os moradores como declarou a estudante Maria Elizabete de Menezes: “Acredito que a comunidade dá muito acesso à informação e educação através dos projetos sociais como o AfroReggae, a Associação de Moradores e o Centro da Cidadania”. A população agora espera que, com a proximidade das eleições, os candidatos olhem mais para o bairro e tentem mudar um pouco a realidade de quem vive em Parada de Lucas.

15 de abril de 2010

Desvendando ruas e vielas

Localizado no município do Rio de Janeiro, o bairro de Parada de Lucas, na maioria das vezes, figura nas páginas de jornal como um local violento e esquecido pelo poder público. O blog Um novo olhar propõe a você uma nova visão sobre o local através de quatro matérias que publicaremos a partir da manhã de sexta-feira (16). Mostraremos sim os problemas do bairro, mas também traremos histórias de pessoas que tentam dar uma nova esperança aos moradores da região. Espero você aqui amanhã para conhecer os altos e baixos de Parada de Lucas, além de saber um pouco mais sobre nosso líder comunitário, Ney do Valle, ver as obras do desenhista Arima e se deliciar com as delícias de uma mineira apaixonada pelo Rio. Até lá!